A semana das escutas
As escutas foram tornadas públicas numa segunda-feira. Na terça, a direção do clube fez uma reunião de emergência longe dos telefones, e o apito dourado deixou de estar na vitrine. Algumas pistas deste caso vêm em forma de charada. Se uma te travar, a ajuda decifra-a. Oito pessoas e um apito, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Armindo, o presidente do clube: Diz que nunca falou de fruta ao telefone. Ao telefone, só fala de legumes.
- Bernardo, o vice-presidente: Desligou o telemóvel há uma semana. Agora manda recados pelo roupeiro.
- Carlota, a advogada do clube: Explicou que café com leite é só café com leite. Ninguém acreditou, nem ela.
- Desidério, o árbitro reformado: Apitou trezentos jogos. Diz que nunca recebeu nada, tirando fruta.
- Eulália, a senhora da sala de troféus: Limpa a vitrine todos os dias. Há um troféu que anda mais limpo do que os outros.
- Fidélio, o técnico das telecomunicações: Veio ver se os telefones do clube tinham escutas. Encontrou quatro, e uma era dele.
- Graça, a jornalista que publicou as escutas: Publicou as escutas na segunda-feira. Desde terça que o telefone dela também faz barulhos esquisitos.
- Hipólito, o roupeiro: Lava os equipamentos e guarda os segredos. Saem ambos sempre limpos.