O acórdão de mil páginas
Anos depois das escutas, o tribunal leu um acórdão de mil páginas. Entre a página 600 e a 601 estava o apito dourado, guardado como prova. No fim da leitura já lá não estava. Algumas pistas deste caso vêm em forma de charada. Se uma te travar, a ajuda decifra-a. Oito pessoas e um apito, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Adelaide, a juíza presidente: Leu o acórdão durante nove horas. Bebeu duas garrafas de água e não perdeu a voz.
- Baltasar, o advogado de defesa: Diz que as escutas não valem como prova. O apito, por precaução, também não.
- Cesaltina, a procuradora: Pediu sete anos. Saiu com uma pena suspensa e um apito a menos.
- Diogo, o arguido principal: Ouviu o acórdão de chapéu enterrado na cabeça. Diz que era por causa do ar condicionado.
- Ermelinda, a escrivã: Numerou as mil páginas à mão. A página do apito tem número, mas não tem apito.
- Feliciano, o jornalista desportivo: Normalmente faz relatos de futebol. Fez o relato do acórdão minuto a minuto.
- Gaspar, o oficial de justiça: Leva os volumes do processo de sala em sala, num carrinho que range.
- Hortênsia, a testemunha que não se lembra: Foi chamada para depor e lembrou-se de tudo menos do que lhe perguntaram.