Vinte e três arguidos
No julgamento de Tancos sentaram-se vinte e três arguidos. Para o tribunal, a granada recuperada era a prova principal. Ao terceiro dia de audiências, deixou de estar na mesa das provas. Algumas pistas deste caso vêm em forma de charada. Se uma te travar, a ajuda decifra-a. Nove pessoas e uma granada, uma por linha e uma por coluna. Nada te é dado de bandeja: vais precisar de mais do que uma hipótese até chegar ao fim.
Suspeitos
- Ambrósio, o ex-ministro arguido: Diz que não sabia de nada. Diz que, se soubesse, também não sabia.
- Brunilde, a juíza: Tem vinte e três arguidos e uma sala para dezoito. Mandou trazer cadeiras do bar.
- Clementino, o ex-diretor da PJM: Organizou a recuperação. No tribunal chamam-lhe encenação; ele prefere logística.
- Dília, a procuradora: Escreveu uma acusação de novecentas páginas. Os arguidos leram o índice.
- Eduíno, o sargento do inventário: Sabe quantas granadas havia antes e depois. Só não sabe o que aconteceu no meio.
- Fausta, a advogada de defesa: Defende três arguidos ao mesmo tempo. Cada um tem uma versão, e ela tem as três.
- Godofredo, o guarda prisional: Acompanha os arguidos de sala em sala. Contou-os à entrada e à saída: vinte e três, e uma granada a menos.
- Honorina, a cronista judicial: Já escreveu cem crónicas do julgamento. Nenhuma tem fim, porque o julgamento também não.
- Inácio, o oficial de justiça: Leva as provas da sala para o arquivo e do arquivo para a sala. A granada tem o número 47 na etiqueta.