Sessão 47
Na sessão 47 da comissão de inquérito, oito pessoas disseram que não se recordavam. A granada que servia de prova também não se recorda de como saiu da sala. Algumas pistas deste caso vêm em forma de charada. Se uma te travar, a ajuda decifra-a. Oito pessoas e uma granada, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Adalberto, o ex-ministro: Não se recorda. Recorda-se, isso sim, de que não se recorda.
- Brízida, a deputada que fez as perguntas: Fez cento e doze perguntas. Recebeu cento e doze "não me recordo".
- Camilo, o general na reserva: Veio depor fardado. Diz que a farda se recorda por ele.
- Dinora, a estenógrafa nova: Substituiu a estenógrafa antiga, que se reformou de tanto escrever "não me recordo".
- Ernesto, o assessor do ex-ministro: Passa bilhetes ao ex-ministro durante o depoimento. Os bilhetes dizem "não te recordes".
- Florbela, a jornalista parlamentar: Escreve a crónica da comissão desde a primeira sessão. Já vai no terceiro caderno.
- Guilherme, o funcionário dos microfones: Desliga o microfone a quem fala demais. Nesta comissão nunca precisou.
- Helga, a procuradora convidada: Veio assistir para ver se aprendia alguma coisa. Aprendeu a não se recordar.