O hino, outra vez
Anos depois, outro Grande Prémio no mesmo autódromo, outra pessoa a cantar o hino, outra transmissão em direto. Desta vez o técnico de som testou tudo quatro vezes. A meio dos preparativos, numa caixa de peças esquecida nas boxes, apareceu um auricular de retorno muito antigo, e logo a seguir voltou a desaparecer. Nove pessoas e um auricular, uma por linha e uma por coluna. Nada te é dado de bandeja: vais precisar de mais do que uma hipótese até chegar ao fim.
Suspeitos
- Alcides, o técnico de som: Ainda trabalha no autódromo. Testou o som quatro vezes, e à quarta pediu a toda a gente para cantar baixinho.
- Brígida, a diretora de transmissão: Pôs um técnico só a vigiar o atraso do som. Diz que meio segundo nunca mais.
- Cristóvão, o mecânico das motos: Abriu a caixa das peças pequenas pela primeira vez em anos. Encontrou anilhas, parafusos e uma coisa que não era dele.
- Dulcineia, a produtora executiva: Começou como estagiária da transmissão em 2022. Hoje manda na transmissão e ainda olha para o telemóvel, mas por boas razões.
- Edmundo, o cantor convidado: Vai cantar o hino. Pediu o auricular novo, o antigo e mais um de reserva.
- Francelina, a fã que esteve em 2022: Veio ver se desta vez corria bem. Trouxe tampões para os ouvidos, por precaução.
- Galvão, o jornalista de motores: Escreve a crónica da corrida e uma linha sobre o hino, como há anos. A linha ainda tem mais leitores.
- Hipólito, o comissário de pista: Agita as bandeiras. Para o hino, desta vez, já sabe qual é: nenhuma.
- Iracema, a hospedeira do pódio: Prepara as garrafas para o pódio. Diz que só se abrem depois do hino, que é para não haver confusões.