Sem recurso
Quase dois meses depois da sentença, a dupla anunciou que não ia recorrer: respeitava a decisão, discordava dela, e dizia que o processo nunca quis limitar o humor. O caso fechou. Para gravar a notícia, uma televisão montou um estúdio à pressa, e a claquete do diretor desapareceu entre dois takes. Nove pessoas e uma claquete, uma por linha e uma por coluna. Nada te é dado de bandeja: vais precisar de mais do que uma hipótese até chegar ao fim.
Suspeitos
- Arlindo, o realizador do telejornal: Bate a claquete antes de cada peça, mesmo nas que já estão gravadas. Diz que dá sorte.
- Benedita, a pivô da noite: Leu a notícia com a cara mais neutra que conseguiu. Diz que ensaiou ao espelho.
- Calisto, o operador de câmara: Filmou a pivô em três ângulos. No terceiro, via-se a claquete ao fundo.
- Dolores, a maquilhadora: Retocou a pivô entre takes. Diz que notícias de fim de processo pedem menos blush.
- Emanuel, o editor de imagem: Escolheu as imagens de arquivo: o autódromo, a porta do tribunal, um leque. Ninguém sabe de onde veio o leque.
- Filomena, a produtora do telejornal: Cronometra cada peça ao segundo. Esta tinha um minuto e dez, e ninguém a deixou cortar.
- Gualter, o cenógrafo: Montou o estúdio em vinte minutos com os restos de um concurso de talentos. O júri ainda estava no fundo.
- Hermengarda, a rececionista: Recebe os convidados que nunca chegam a entrar. Desta vez não veio ninguém, e ela agradeceu.
- Ivone, a estagiária de produção: Leva a claquete de estúdio em estúdio. Diz que é o trabalho mais importante que lhe deixam fazer.