Apedrejamento verbal
A juíza escreveu que a montagem foi crítica a uma atuação, sem resvalar para ofensa pessoal, e que não serviu de incentivo ao "apedrejamento verbal" da dupla. Também separou o humor do jornalismo: o humor tem mais liberdade para mexer na realidade. Na redação de um jornal, a sentença foi sublinhada de todas as cores e depois sumiu. Nove pessoas e uma sentença, uma por linha e uma por coluna. Nada te é dado de bandeja: vais precisar de mais do que uma hipótese até chegar ao fim.
Suspeitos
- Aldina, a editora de justiça: Sublinhou a sentença a amarelo. Diz que o amarelo é para o que vai para o título.
- Bento, o editor de cultura: Sublinhou a parte do humor a verde. Diz que finalmente um tribunal percebeu o que ele escreve há vinte anos.
- Custódia, a revisora: Sublinhou a vermelho duas vírgulas. Diz que a sentença está bem escrita, mas não perfeita.
- Dimas, o paginador: Tem de fazer caber a sentença numa página. Já tirou as vírgulas da Custódia.
- Evangelina, a estagiária: Escreveu sete títulos com "apedrejamento verbal". Nenhum foi escolhido, mas todos foram partilhados no grupo.
- Florentino, o cronista de opinião: Escreveu uma crónica a favor e outra contra, para escolherem. Escolheram as duas.
- Gabriela, a apresentadora do vídeo: Leu um excerto da sentença em direto. Engasgou-se em "causalidade" e teve de recomeçar.
- Herculano, o arquivista: Guarda todos os jornais desde 1974. Diz que nunca guardou uma sentença tão sublinhada.
- Inês, a rececionista: Recebeu chamadas de leitores a perguntar se agora já se pode gozar com tudo. Respondeu que dependia.