Um fósforo num fardo de feno
Na tarde de 11 de julho houve alegações finais. A advogada da dupla disse que a humorista largou um fósforo num fardo de feno e que a liberdade de expressão não é absoluta; a da humorista respondeu que não gostar de uma piada não a faz deixar de ser piada. Um telemóvel tocou, alguém foi mandado sair, e o leque saiu com mais alguém. Nove pessoas e um leque, uma por linha e uma por coluna. Nada te é dado de bandeja: vais precisar de mais do que uma hipótese até chegar ao fim.
Suspeitos
- Adelaide, a senhora do telemóvel que tocou: O toque era o hino nacional. Jura que foi coincidência, e que o telemóvel é do neto.
- Belmiro, o agricultor do Ribatejo: Veio a Lisboa tratar de papéis e entrou na sala por curiosidade. Explicou depois a toda a gente como arde um fardo de feno.
- Cidália, a estudante de Direito: Tomou nota das alegações das duas partes. Vai usá-las no exame de Direitos Fundamentais, em lados opostos.
- Damasceno, o oficial de justiça: Mandou sair a senhora do telemóvel. Depois passou a tarde a pedir desculpa, porque ela era simpática.
- Elsa, a jornalista da rádio: Fez o direto das seis à porta do tribunal. Disse "fardo de feno" quatro vezes em dois minutos.
- Fortunato, o bombeiro voluntário: Veio por causa do fardo de feno. Ficou desiludido: era uma metáfora.
- Gracinda, a senhora do bar: Fechou o bar às cinco e meia, como sempre. Às seis ainda havia advogados a pedir cafés pela porta.
- Heitor, o técnico do elevador: Esteve a manhã inteira a arranjar o elevador do segundo andar. Arranjou-o às seis, quando já ninguém precisava.
- Isilda, a escrivã: Escreveu as alegações finais todas. Quando terminou, pousou a caneta e pediu um leque.