Os humoristas testemunham
A 30 de junho testemunharam dois humoristas a favor da ré. Um deles resumiu o processo assim: o que os irmãos querem é que o tribunal diga que não são ridículos, e isso é impossível, porque somos todos. Lá fora, os fotógrafos esperavam. Lá dentro, o leque mudou de dono. Oito pessoas e um leque, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Antero, o fotógrafo de agência: Esperou três horas na escadaria pela fotografia da saída. A fotografia saiu de costas.
- Brites, a guionista de televisão: Tirou uma frase do testemunho para o guião da semana. Precisa de autorização, mas já está gravado.
- Cassiano, o oficial de justiça: Pediu silêncio três vezes. Da terceira, ele próprio teve de se conter para não rir.
- Delfina, a fã dos humoristas: Trouxe livros para assinar. Teve de os guardar: não se dão autógrafos em tribunal.
- Eduardo, o vendedor de gelados do passeio: Pôs a carrinha em frente ao tribunal às dez. Às onze já não tinha gelados de limão.
- Fernanda, a correspondente estrangeira: Tentou explicar o caso para um jornal espanhol. Desistiu na parte do concurso de talentos.
- Gaspar, o segurança da escadaria: Afasta os fotógrafos da porta. Os fotógrafos voltam sempre meio metro depois.
- Hermínia, a escrivã: Escreveu a frase dos ridículos na ata. Diz que nunca escreveu uma frase tão verdadeira.