O maestro
A 18 de junho falou o maestro, que defendeu os cantores: se o som estivesse a cem por cento, nada daquilo teria acontecido. Na sala das testemunhas, cada um esperava a sua vez com o calor a apertar. Quando chegou a vez do leque, já lá não estava. Oito pessoas e um leque, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Augusta, a afinadora de pianos: Veio com o maestro por solidariedade profissional. Diz que o problema nunca é do instrumento.
- Bonifácio, o oficial de justiça das testemunhas: Chama as testemunhas pela ordem. Chamou duas vezes a mesma, e a mesma veio duas vezes.
- Cesaltina, a coralista: Canta no mesmo coro há trinta anos. Ouviu o hino de Portimão e diz que o coro também já teve dias assim.
- Dimas, o técnico de som reformado: Trabalhou quarenta anos em festivais. Explicou o desfasamento a toda a sala de espera, com as mãos.
- Edite, a jornalista de música: Escreveu sobre o primeiro disco da dupla em 2000. Agora escreve sobre o processo.
- Florêncio, o estudante do conservatório: Veio ver o maestro como quem vai ver um jogador da bola. Pediu-lhe um autógrafo no bilhete do metro.
- Guilhermina, a senhora das bifanas do pátio: Tem uma roulote no pátio só nos dias de julgamentos grandes. Este conta como grande.
- Higino, o motorista de táxi: Trouxe o maestro e ficou à espera com o taxímetro ligado. Já vai em sessenta euros.