Marcada a data
O julgamento ficou marcado para junho, no Palácio da Justiça, em Lisboa. Nas semanas seguintes houve contas, testemunhas a arrolar e agendas a acertar. A caneta do acordo apareceu num escritório e voltou a desaparecer noutro. Oito pessoas e uma caneta, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Acílio, o estagiário das testemunhas: Fez a lista das testemunhas. Ficou longa, e ainda faltava metade.
- Bibiana, a rececionista: Atende o telefone com o nome do escritório inteiro. Leva doze segundos por chamada.
- Cristiano, o motorista do escritório: Leva documentos ao tribunal e traz pastéis no regresso. Os pastéis chegam sempre primeiro.
- Dulce, a tradutora: Traduziu para português um parecer em inglês sobre humor. Diz que em português ficou mais sério.
- Evaristo, o técnico informático: Gravou o vídeo da montagem numa pen para o tribunal. A pen tem mais vídeos, que não são para tribunal.
- Filomena, a advogada associada: Preparou as perguntas para cada testemunha. Tem uma pasta só para as que não vai fazer.
- Gilberto, o cliente de outro processo: Veio tratar de um divórcio e esperou duas horas por causa de um hino. Ficou a sabê-lo de cor.
- Hermengarda, a senhora da limpeza: Limpa o escritório às sete da manhã. É a única que vê as secretárias como os advogados as deixam.