Sem acordo
"Não foi possível obter acordo." A frase ficou escrita na ata e o caso seguiu para julgamento. No fim da audiência, a caneta que ninguém usou saiu da sala antes das partes. Oito pessoas e uma caneta, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Almiro, o oficial de justiça: Fecha a sala no fim de cada audiência. Fechou-a com a caneta já do lado de fora.
- Balbina, a escrivã: Escreveu a ata com a caneta dela. Diz que nunca usa canetas de acordos, dão azar.
- Cassilda, a advogada estagiária: Tomou notas de tudo. Das notas, só se percebe a palavra "não".
- Diogo, o funcionário do arquivo: Veio buscar o processo para o arquivar. Disseram-lhe que ainda faltava o julgamento.
- Etelvina, a senhora da limpeza: Limpa a sala logo a seguir. Encontrou dois copos de água vazios e nenhuma caneta.
- Fabrício, o jornalista freelancer: Esperou no átrio para fazer uma pergunta. Fez a pergunta à porta errada.
- Generosa, a senhora do bar: Serve meias de leite aos advogados. Sabe o fim das audiências pela quantidade de pastéis.
- Horácio, o segurança do tribunal: Vigia as escadas. Viu a caneta descer, mas não viu ninguém a segurá-la.