A comissão que se reuniu à porta fechada
A comissão de inquérito ao gabinete remexido reuniu-se à porta fechada, para não haver fugas. Duas horas depois já se sabia tudo cá fora, menos onde tinha ido parar a prova. Algumas pistas deste caso vêm em forma de charada. Se uma te travar, a ajuda decifra-a. Oito pessoas e uma prova, uma por linha e uma por coluna. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Alcides, o presidente da comissão: Abriu a sessão a pedir serenidade. Fechou-a a pedir um copo de água.
- Brígida, a relatora: Já tem o relatório final escrito. Falta só a parte do que aconteceu.
- Casimiro, o deputado que pediu o inquérito: Pediu o inquérito, a ata e um intervalo. Só lhe deram o intervalo.
- Dorinda, a assessora de imprensa do partido: Mandou dizer que a democracia estava em grau zero. Depois do almoço já ia em grau menos dois.
- Eusébio, o técnico das câmaras que não existem: Ganha para fazer a manutenção de câmaras que nunca foram instaladas. Diz que estão impecáveis.
- Filomena, a senhora do bar dos deputados: Serve galões há trinta anos. Já ouviu mais segredos do que a comissão.
- Gervásio, o segurança da porta: A porta não foi forçada, garante. Ele estava encostado a ela.
- Honorina, a jornalista parlamentar: Tem uma fonte em cada partido. Nesta história as fontes contradizem-se todas.