Proibido mandar emails
Um antigo secretário-geral diz que o ministro proibiu o envio de emails. Sem emails não fica rasto, só papel. E o papel, como se sabe, perde-se com muita facilidade. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Aurora, a técnica informática: Desligou o email do ministério por ordem superior. A ordem não veio por escrito, porque já não se podia mandar emails.
- Baltasar, o jurista: Acha que a proibição dos emails é ilegal. Mandou a opinião por carta registada.
- Clotilde, a chefe de divisão: Imprime tudo em triplicado desde que acabaram os emails. Diz que é transparência.
- Dalila, a secretária do antigo secretário-geral: Ficou sem chefe e sem email no mesmo mês. Agora tem muito tempo livre e muita memória.
- Emanuel, o estafeta: Desde que os emails foram proibidos, todos os papéis do ministério passam pelas mãos dele.
- Filipa, a assessora de imprensa: Escreve os comunicados à mão desde a proibição. Tem letra bonita e pouca paciência.
- Germano, o motorista do ministério: Leva os papéis de um gabinete para o outro. Já leu mais do que devia.
- Hortênsia, a responsável pelo arquivo: Arquiva tudo o que chega em papel. Nesse dia chegou papel a mais.