Ajuste direto
Obras num posto da GNR, adjudicadas por ajuste direto, com pressa e sem perguntas. Quem travou o processo já foi demitido. Sobram uma prova e oito pessoas com muito para explicar. Quase nada te é dito diretamente: vais ter de cruzar tudo.
Suspeitos
- Albano, o comandante do posto: Pediu obras para o posto há doze anos. Chegaram todas de uma vez, num ajuste direto.
- Bela, a engenheira da obra: Assina os autos de medição sem medir nada. Diz que tem bom olho.
- Casimiro, o empreiteiro: Ganhou o concurso sem concorrentes. Ele chama-lhe mérito.
- Deodato, o fiscal do contrato: Fiscaliza a obra a partir do gabinete dele, a cinquenta quilómetros de distância.
- Eugénia, a jurista do ministério: Escreveu um parecer a dizer que o ajuste direto era legal. Depois escreveu outro a dizer que talvez não.
- Feliciano, o encarregado da obra: Começou a obra antes de haver contrato. Diz que era só para adiantar.
- Graciete, a contabilista do empreiteiro: Tem as faturas todas em ordem. Em várias ordens, conforme quem pergunta.
- Hélio, o guarda de serviço no posto: Abriu o portão a toda a gente. Ninguém lhe mostrou papel nenhum.